Foto: Matheus Peres

“Temos fé de que tudo irá melhorar, assim poderemos voltar para casa, reencontrar nossa família e ter novamente aqueles natais alegres de antes” - Yulaidye

por Ana Célia Machado

Yulaidye de 22 anos, e Carlos de 24 são casados e estão no Brasil há aproximadamente seis meses. O casal morava na cidade de Maturín, no estado Monagas, com seus três filhos onde Carlos trabalhava em uma fábrica de produtos químicos e Yulaidye era dona de casa. A família tinha uma vida tranquila antes da crise econômica venezuelana bater em sua porta. Segundo Yulaidye, eles sempre se divertiam saindo com os filhos:   levando-os   à  praça ou para comer fora, comemoravam os aniversários de cada um com uma grande festa, reuniam toda a família e comiam todos juntos, coisas que aqui no Brasil tem desejo de poder continuar a fazer.

Entretanto, chegou um dia em que o dinheiro que ganhavam não conseguia mais cobrir as despesas básicas da família. O salário mínimo já não era mais o suficiente para comprar utensílios essenciais como alimentos e produtos de higiene, devido a aumento da inflação e desvalorização da moeda nacional. Carlos revela, com lágrimas nos olhos, que em um certo momento a situação ficou tão difícil que seus filhos não tinham o que comer e choravam de fome. Foram durante esses momentos dolorosos que ele e a esposa tomaram a decisão de se mudarem para o Brasil. Logo após esses acontecimentos, a jornada da família em busca de uma nova vida começou. 

  Foto: Matheus Peres

Eles decidiram deixar seu país com a esperança de escapar da crise que se alastrou pela Venezuela, e buscar um novo começo no país vizinho: o Brasil. Ao chegarem aqui, o casal conta ter passado por diversas situações em que além de passar fome, morar na rua e entre outros, também sofrer xenofobia ao ponto de Yulaidye decidir parar de pedir roupas para seus filhos que só tinham uma peça cada um. Apesar de todas essas dificuldades pelas quais a  família passou,  afirmam   gostarem   muito     do Brasil e sobretudo dos aspectos culturais, como a dança. Inclusive Carlos até brinca que está tentando aprender.

 

Foto: Matheus Peres

Atualmente morando no abrigo Nova Canãa, o casal expressa o desejo de participar do programa de interiorização, porém sem perder a esperança de que um dia a situação na Venezuela melhorará e assim poderão retornar para a família que deixaram para trás. Ambos ainda se emocionam ao lembrar da vida que tinham em casa antes da crise: “no Natal toda a família se reunia, fazíamos uma grande ceia, tocávamos música e dançávamos juntos, é uma das coisas que mais sentimos falta”. Assim, eles esperam poder manter vivas suas tradições e cultura, construindo assim uma nova vida com qualidade e alegria da maneira que tinham antigamente.