Foto: Katarzyna Górka

“A Venezuela é um país lindo cheio de diversidade, com mulheres guerreiras cheias de atitude que apoiam umas às outras e são muito prestativas” - Marielse

por Ana Célia Machado

Marielse (25) é venezuelana e tem como companheira de jornada sua filha de dois anos, Enmariel. As duas viviam na cidade de Maturín, no estado de Monagas, onde Marielse trabalhava como secretária em uma escola.

A decisão de iniciar essa nova jornada no Brasil veio com a esperança de poder construir uma vida melhor para ela e sua filha, além de reunir-se novamente com a família que já morava no país há seis meses. Um pouco antes da mudança, mãe e filha tentaram continuar na Venezuela por um tempo com a expectativa de que a crise econômica que se alastrava pelo país se amenizaria.

Foto: Katarzyna Górka

Porém, a situação foi se agravando, o que levou a mãe de Marielse a começar ajudá-la financeiramente com as despesas. Ela elucida que mesmo juntando seu salário com a ajuda que recebia da mãe, ainda não conseguia comprar itens básicos do dia-a-dia como arroz, feijão, macarrão e entre outras coisas. Os supermercados quase sempre estavam com as prateleiras vazias e quando algum produto aparecia nelas, as filas de compra se tornavam quilométricas, tornando a situação ainda mais difícil.

Há três semanas morando no Brasil, Marielse diz nunca ter sofrido nenhum tipo de discriminação até o momento, mesmo tendo escutado diversas coisas sobre o assunto vindo de pessoas conhecidas. Ela ainda lembra que sente muita falta da época antes da crise quando conseguia sair com sua família, ir ao shopping, passear na praça e até mesmo “se dar ao luxo de tomar um sorvete” como ela mesma descreve. Uma das coisas que mais sente falta de seu país é a comida venezuelana, mesmo tendo provado comidas brasileiras como coxinha e tapioca, ainda não se vê sem preparar arepas, cachapas e entre outros quitutes, sendo algo de sua cultura que gostaria de preservar sempre. Atualmente depois de tudo o que passou, Marielse se define como uma mulher forte e expressa o desejo de participar do programa de interiorização junto com sua família para que assim possam estabelecer sua nova vida no Brasil.