“Ser venezuelana é ser uma mulher lutadora que avança em busca dos seus desejos através do estudo e do trabalho, fazendo de tudo para não depender de ninguém” - Yuceilis

por Ana Clara Bernardes

Yuceilis tem 24 anos, é casada e mãe de uma menina. Ela chegou em Boa Vista há 11 meses. Na Venezuela, formou-se em administração e trabalhava como assistente contábil em uma empresa. Ela considera que antes da crise sua vida era boa e confortável, tinha o hábito de ir sempre ao cinema com os amigos da igreja ou da faculdade.

A decisão de mudar-se para o Brasil se materializou quando a possibilidade de manter seu emprego se esvaiu e os remédios e alimentos ficaram escassos. Esses motivos somaram-se aos obstáculos de ser mãe em um país cujos produtos infantis como fraldas são excessivamente caros.

Yuceilis se considera uma mulher honesta, trabalhadora e comunicativa. No cotidiano do abrigo, adorar ensinar novas palavras e expressões, que ela aprende em português, para que as pessoas possam sempre aprender mais sobre o idioma local. Para ela ser venezuelana é “ser uma mulher lutadora que avança em busca dos seus desejos através do estudo e do trabalho, fazendo de tudo para não depender de ninguém”.

Foto: Fabricio Carrijo

Ela admira bastante a cultura brasileira e relata gostar muito da comida e, principalmente, da música. Antes de chegar no país, Yuceilis admite que acreditava que o samba era o ritmo mais apreciado no Brasil, mas ela percebeu que existem outros gêneros musicais que fazem parte do cotidiano brasileiro. Outro fator que conquistou a admiração da jovem venezuelana é a pró-atividade dos brasileiros em ajudar os venezuelanos e o jeito paciente que esses demonstram ter.

Yuceilis veio para Boa Vista apenas com sua filha, seu esposo ficou na Venezuela. Ela diz sente muita falta de seu companheiro mas conta que, em breve, eles reunirão a família novamente. Os planos da família são de morar em Santa Catarina e construírem uma vida digna e mais confortável no estado brasileiro escolhido por eles.